Governadora de Gaza apela à calma e ao respeito pela justiça


 GOVERNADORA DE GAZA ILIBA DIRECTORA DO GABINETE NO CASO DE DESVIO DE DONATIVOS PARA VÍTIMAS DAS CHEIAS


A governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene Chongo, afirmou esta terça-feira, na cidade de Xai-Xai, que a directora do seu gabinete, Dora Artur, não tem responsabilidade no alegado esquema de desvio de donativos destinados às vítimas das cheias, caso que está a ser investigado pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC).


Falando à imprensa, a governante apelou à serenidade da população e pediu que se aguarde pelo posicionamento final das instituições da justiça.


“Desconhecemos que a directora tenha cometido algum mal. Por isso apelamos à calma e serenidade e que todos aguardemos pelo pronunciamento dos órgãos da administração da justiça”, declarou Chongo.


Segundo a governadora, tanto a directora do gabinete como os demais funcionários públicos envolvidos no processo devem beneficiar do princípio jurídico da presunção de inocência até que haja um pronunciamento definitivo das autoridades competentes.


O posicionamento surge cerca de duas semanas após o início das detenções relacionadas com o alegado desvio de ajuda humanitária destinada às populações afectadas pelas recentes cheias na província de Gaza.


O caso ganhou contornos públicos quando o SERNIC desencadeou uma operação de investigação que culminou com a detenção de vários funcionários públicos na cidade de Xai-Xai.


Entre os detidos encontram-se a directora do gabinete da governadora, Dora Artur, a então administradora do distrito de Xai-Xai, Argelência Chissano, bem como fiéis de armazém e outros funcionários ligados à gestão e distribuição de ajuda humanitária. 


De acordo com o porta-voz do SERNIC na província, os suspeitos terão sido surpreendidos a retirar produtos dos armazéns do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) fora do horário estabelecido, numa operação realizada no final do mês de Fevereiro. 


Durante as buscas realizadas nas residências dos suspeitos, as autoridades recuperaram diversos bens que faziam parte dos donativos destinados às vítimas das inundações.


Entre os produtos recuperados constam cerca de 218 colchões, fardos de roupa e vários produtos alimentares, incluindo farinha de milho, arroz, óleo alimentar e bolachas. 


Os bens desviados estão avaliados em mais de 350 mil meticais, segundo dados avançados pelas autoridades policiais.


À medida que as investigações avançaram, o número de detidos foi aumentando. Entre os novos suspeitos está também a chefe do posto administrativo de Inhamissa, na cidade de Xai-Xai, igualmente indiciada de envolvimento no esquema de desvio de ajuda humanitária. 


No total, pelo menos oito pessoas foram detidas no âmbito deste processo, enquanto o SERNIC prossegue com diligências para identificar outros possíveis implicados. 


A Procuradoria Provincial de Gaza acompanha o caso e deverá decidir sobre a eventual responsabilização criminal dos envolvidos.


Os donativos desviados faziam parte da assistência humanitária mobilizada para apoiar as populações afectadas pelas cheias registadas desde Janeiro na província de Gaza.


Segundo dados das autoridades locais, mais de 15 mil pessoas foram afectadas pelas inundações, sendo que milhares continuam alojadas em centros de acomodação temporária. 


Os bens incluíam alimentos básicos, colchões e materiais de primeira necessidade destinados a aliviar a situação das famílias deslocadas.


O desvio de donativos destinados a vítimas de calamidades não é um fenómeno totalmente novo em Gaza. Nos últimos anos, as autoridades já investigaram vários episódios semelhantes envolvendo servidores públicos e gestores de armazéns responsáveis pela distribuição de ajuda humanitária.


Analistas sociais consideram que estes casos revelam fragilidades nos mecanismos de controlo da ajuda humanitária e defendem a aplicação de punições exemplares para desencorajar práticas semelhantes no futuro. 


Especialistas sublinham ainda a necessidade de reforçar os sistemas de fiscalização e transparência na gestão de donativos, sobretudo em períodos de calamidade, quando grandes quantidades de bens são mobilizadas para apoiar populações vulneráveis.


Enquanto isso, o processo continua sob investigação e as autoridades judiciais deverão, nos próximos dias, clarificar o grau de envolvimento de cada um dos suspeitos no alegado esquema de desvio de ajuda humanitária na província de Gaza.

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem