Moçambique prepara-se para dar um salto estrutural no sector da saúde com a projecção do maior centro cirúrgico da África Austral, uma infra-estrutura que deverá ser implantada na cidade de Maputo e cujas obras poderão arrancar ainda no presente ano.
O anúncio foi tornado público pelo Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, durante a sua participação no programa “Cartas na Mesa”, da Rádio Moçambique.
Segundo o governante, o projecto já dispõe de financiamento assegurado, o que abre caminho para o início das obras dentro de um horizonte próximo, numa iniciativa que visa reforçar significativamente a capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde, sobretudo em matéria de cirurgias especializadas.
A construção do centro cirúrgico surge num contexto em que o país enfrenta ainda limitações no acesso a serviços médicos diferenciados, particularmente em áreas de alta complexidade. A nova unidade deverá, assim, reduzir a necessidade de evacuações médicas para o estrangeiro e aliviar a pressão sobre unidades de referência como o Hospital Central de Maputo, actualmente o maior hospital do país.
Embora detalhes técnicos como capacidade, especialidades ou cronograma completo ainda não tenham sido divulgados, fontes indicam que o projecto está concebido para responder aos desafios actuais e futuros do sector, com enfoque em tecnologia, eficiência e cobertura regional.
Na mesma intervenção, Fernando Rafael destacou que o sector das obras públicas está a adoptar novas abordagens para garantir maior qualidade, durabilidade e resiliência das infra-estruturas, tendo em conta fenómenos como mudanças climáticas e crescimento urbano acelerado.
A aposta, segundo explicou, passa por padrões mais rigorosos de construção e pela integração de soluções modernas que assegurem maior longevidade aos empreendimentos públicos.
A concretizar-se nos moldes anunciados, o centro cirúrgico posicionará Moçambique como um dos principais polos de prestação de cuidados de saúde especializados na África Austral, com potencial para atrair pacientes da região e reforçar a cooperação médica internacional.
No fundo, é aquele tipo de projecto que não serve só para cortar fitas — se for bem executado, muda mesmo o jogo: mais cirurgias feitas cá dentro, menos dependência externa e um sistema de saúde com outra postura.
