Momade poderá abandonar liderança da RENAMO ainda este ano e sucessão já agita bastidores


A possibilidade de afastamento de Ossufo Momade da liderança da RENAMO está a ganhar força nos círculos políticos nacionais, num momento em que o partido enfrenta uma das fases mais sensíveis da sua história recente.


Fontes internas da “perdiz”, ouvidas sob anonimato, indicam que Momade poderá aproveitar a reunião nacional do partido para anunciar a sua retirada, ainda no decurso do presente ano, abrindo caminho para uma disputa sucessória que se antevê intensa e potencialmente fracturante.


Desde que assumiu o comando da RENAMO, em 2019, na sequência da morte de Afonso Dhlakama, Momade posicionou-se como uma figura de transição, com enfoque na consolidação da paz e na implementação do Acordo de Paz e Reconciliação de Maputo.


A sua aposta na desmilitarização do braço armado do partido foi amplamente reconhecida como um passo decisivo para a estabilidade do país. Contudo, internamente, esta estratégia acabou por aprofundar divisões, com sectores mais conservadores a acusarem-no de desvirtuar a identidade combativa da organização.


A chamada “Junta Militar da RENAMO”, que durante anos protagonizou focos de tensão armada no centro do país, manteve uma postura crítica em relação à liderança de Momade, exigindo reformas internas e maior inclusão nos processos decisórios.


Contestação e fragilidades internas


Além das tensões políticas, decisões judiciais recentes relacionadas com disputas internas vieram expor fragilidades na gestão do partido, agravando a percepção pública de perda de controlo e coesão.


Analistas ouvidos apontam que a liderança de Momade tem sido marcada por dificuldades em mobilizar as bases, sobretudo num contexto em que a FRELIMO continua a consolidar a sua hegemonia no xadrez político nacional.


“O problema da RENAMO hoje não é apenas liderança, é identidade e capacidade de reorganização”, refere um analista político em Maputo.


Sucessão já movimenta nomes


Com o eventual afastamento de Momade, começam a emergir possíveis sucessores, sendo apontados, entre outros, António Muchanga, Ivone Soares e Manuel de Araújo.


Cada um destes nomes representa correntes distintas dentro do partido:


Muchanga é visto como uma figura experiente e com discurso firme, mas polarizador;


Ivone Soares surge como voz crítica interna, com forte presença mediática;


Manuel de Araújo, actual edil de Quelimane, é frequentemente apontado como um perfil mais pragmático e com capacidade de mobilização urbana.



Ainda assim, nenhuma destas figuras reúne, para já, consenso absoluto, o que poderá abrir espaço para uma disputa interna renhida.


2030 no horizonte


A escolha do próximo líder da RENAMO será determinante para o reposicionamento do partido com vista às eleições gerais de 2030. O desafio passa por reconstruir a confiança das bases, atrair novos eleitores e apresentar uma alternativa política sólida face ao domínio prolongado da FRELIMO.


Para já, o cenário permanece em aberto. Mas uma coisa é certa: a eventual saída de Ossufo Momade poderá marcar o início de uma nova fase — ou de mais uma crise — no seio da maior força da oposição moçambicana.


Nos corredores políticos, já se diz sem rodeios: a RENAMO está num ponto de viragem — ou se reinventa, ou arrisca-se a perder ainda mais terreno.

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