O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Governo Federal vai construir moradias gratuitas para as famílias que perderam as suas casas na sequência das fortes chuvas e deslizamentos que assolaram a região da Zona da Mata, no estado de Minas Gerais. A iniciativa surge quando o número oficial de mortos já ultrapassa as setenta pessoas, com centenas de famílias desabrigadas e tensões crescentes em várias comunidades afectadas.
As tempestades extremas, que começaram no fim da tarde de 23 de Fevereiro e prosseguiram nos dias seguintes, transformaram bairros inteiros em zonas de desastre. Chuvas muito acima da média histórica provocaram enchentes, deslizamentos de terra e alagamentos em municípios como Juiz de Fora e Ubá, deixando mais de 5 500 pessoas desalojadas ou sem casa. Fevereiro de 2026 tornou-se um dos meses mais chuvosos já registados na região, com volumes que ultrapassaram quatro vezes a média em alguns postos de medição.
Na sua deslocação à Zona da Mata, Lula disse que o Estado brasileiro não vai deixar as vítimas por conta própria e que as perdas materiais serão recuperadas. Segundo as autoridades, as famílias que perderam as suas residências terão direito a novas casas sem custos, com a possibilidade de escolherem o terreno onde estas serão reconstruídas, caso o município disponha de áreas seguras.
Uma das prioridades anunciadas pelo Governo é que as novas habitações não sejam erguidas em áreas de risco, evitando reiterações do mesmo tipo de tragédia. Onde não houver terrenos disponíveis para construção, está previsto um sistema de “compra assistida”, em que o Governo ajuda as famílias a adquirirem terrenos seguros noutro local.
Lula foi acompanhado por ministros e prefeitos locais durante a visita, incluindo Margarida Salomão, prefeita de Juiz de Fora, e autoridades de Ubá e Matias Barbosa. O Governo já começou a canalizar recursos para respostas imediatas e assistência humanitária, enquanto equipes de resgate continuam as buscas por desaparecidos e prestam apoio às comunidades isoladas pela destruição de estradas e infraestrutura básica.
Além das medidas de habitação, o Governo liberou fundos para socorro, assistência social e restauração de serviços essenciais, como educação e saúde, em coordenação com as administrações municipais. A tragédia em Minas Gerais é uma das mais graves registadas na região nas últimas décadas, acelerando debates sobre a necessidade urgente de investimentos em infra-estruturas de defesa civil e de adaptação às alterações climáticas no Brasil.
O impacto humano e social do desastre é profundo: muitas famílias ainda sobrevivem em abrigos temporários, escolas e espaços públicos adaptados para acolhimento, enquanto o país reflete sobre a resposta a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
