Um cidadão de nacionalidade chinesa, de 55 anos de idade, encontra-se sob custódia das autoridades moçambicanas, após ter sido surpreendido na posse de cerca de 200 quilogramas de pontas de marfim, numa operação levada a cabo na manhã desta quinta-feira, na cidade de Maputo.
A detenção ocorreu por volta das 7h00, no interior da residência do suspeito, localizada num bairro central da capital do País, momento em que, segundo fontes ligadas ao processo, o indivíduo se preparava para proceder ao transporte da mercadoria para um destino ainda não identificado.
De acordo com informações avançadas pelo porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na cidade de Maputo, João Adriano, a operação foi desencadeada na sequência de uma denúncia anónima, que dava conta da existência de actividade suspeita relacionada com o tráfico de produtos de origem animal.
“No decurso da acção, foi possível apreender, para além do marfim em retalho, três passaportes válidos pertencentes ao indiciado, bem como diversos valores monetários, incluindo cerca de 50 mil meticais, 210 dólares norte-americanos, 180 rands sul-africanos e quantias não especificadas em moeda chinesa”, referiu.
As autoridades acreditam que a posse de múltiplos passaportes poderá estar associada a uma estratégia de facilitação de fuga, sobretudo em cenários de eventual detenção, permitindo ao suspeito movimentar-se com diferentes identidades ou contornar restrições legais.
O SERNIC manifesta preocupação face à sofisticação crescente das redes de tráfico de marfim, que continuam a operar no País, muitas vezes com ligações internacionais, colocando em risco a fauna bravia e comprometendo os esforços de conservação.
Entretanto, diligências estão em curso com vista a identificar possíveis cúmplices, bem como apurar o destino final do produto apreendido, havendo fortes suspeitas de que o mesmo seria encaminhado para mercados externos, onde o marfim continua a ter elevada procura.
O cidadão ora detido poderá vir a responder por crimes ambientais e outros ilícitos conexos, nos termos da legislação moçambicana vigente, enquanto decorrem os trâmites legais subsequentes.
Casos do género voltam a lançar um alerta sério sobre a necessidade de reforço dos mecanismos de fiscalização e combate ao tráfico ilegal de recursos naturais, um fenómeno que persiste como ameaça real à biodiversidade nacional.



