O Governo moçambicano aprovou a criação da Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico, Fundo Público (ANDITUR, FP), uma nova instituição que deverá liderar a mobilização de investimentos e acelerar o crescimento do sector do turismo no país.
A decisão foi tomada esta quarta-feira, durante a 12.ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, realizada em Maputo, no quadro das reformas económicas em curso visando dinamizar sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.
Segundo o Executivo, a ANDITUR surge como um instrumento técnico, financeiro e administrativo destinado a impulsionar o turismo, atrair capital nacional e estrangeiro e apoiar a implementação de infra-estruturas ligadas ao sector.
O porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá, explicou que a nova agência terá abrangência nacional, sedeada na cidade de Maputo, e contará com autonomia administrativa, financeira e patrimonial.
De acordo com o Governo, a criação da ANDITUR representa uma mudança de paradigma na forma como o Estado encara o turismo, deixando de tratar o sector apenas como actividade complementar para colocá-lo no centro da agenda económica nacional.
A expectativa é que a instituição facilite o financiamento de empreendimentos turísticos, promova parcerias público-privadas e acelere projectos estruturantes ligados ao património cultural, turismo costeiro, ecoturismo e requalificação urbana.
Na mesma sessão, o Conselho de Ministros aprovou igualmente o Projecto de Resgate do Património e Turismo de Moçambique (PREPT-MOZ), iniciativa que pretende transformar o património histórico, cultural e natural do país em activos económicos sustentáveis.
Segundo o Executivo, o PREPT-MOZ deverá contribuir para posicionar o turismo como um dos principais motores do crescimento inclusivo, da criação de emprego e do desenvolvimento urbano resiliente.
Analistas económicos consideram que a aposta do Governo poderá abrir espaço para maior competitividade do sector turístico moçambicano na região da África Austral, numa altura em que o país procura diversificar as fontes de receita e reduzir a dependência da indústria extractiva.
Moçambique possui um dos maiores potenciais turísticos da região, com destaque para as praias do Índico, reservas naturais, património cultural e biodiversidade marinha. Contudo, especialistas defendem que a falta de infra-estruturas, financiamento e promoção internacional tem limitado o crescimento do sector ao longo dos anos.
Com a criação da ANDITUR, o Governo pretende agora criar uma plataforma mais ágil para transformar este potencial em investimentos concretos, geração de divisas e oportunidades de emprego para milhares de jovens moçambicanos.
