A Autoridade Nacional Reguladora de Medicamento (ANARME, IP) detectou, durante o primeiro semestre de 2026, o desvio de medicamentos pertencentes ao Sistema Nacional de Saúde (SNS), num esquema que provocou um prejuízo estimado em cerca de 20,8 milhões de meticais. A situação representa um sério desafio para o abastecimento regular das unidades sanitárias e poderá comprometer o acesso dos cidadãos aos medicamentos essenciais.
A informação foi tornada pública esta quinta-feira pelo porta-voz da ANARME, Cassiano João, durante uma conferência de imprensa em que apresentou os resultados das acções de fiscalização realizadas em todo o país.
Segundo a instituição, a operação abrangeu 580 estabelecimentos, entre hospitais públicos, clínicas privadas e farmácias privadas. O objectivo foi verificar o cumprimento das normas de armazenamento, distribuição e comercialização de medicamentos, bem como combater práticas ilícitas que colocam em risco a saúde pública.
No decurso das inspecções, a ANARME apreendeu aproximadamente 25 mil medicamentos de proveniência desconhecida, cuja origem e condições de conservação não puderam ser comprovadas. A autoridade reguladora anunciou igualmente a suspensão da importação de medicamentos considerados de fraca qualidade, como medida de protecção dos consumidores e de reforço da segurança do sistema farmacêutico nacional.
O desvio de medicamentos do Sistema Nacional de Saúde é uma preocupação recorrente, uma vez que reduz a disponibilidade de fármacos nas unidades sanitárias, prejudica o tratamento dos pacientes e favorece a circulação ilegal de produtos farmacêuticos no mercado.
A ANARME assegura que continuará a intensificar as acções de fiscalização em todo o território nacional, em coordenação com outras instituições do Estado, para responsabilizar os envolvidos e reforçar os mecanismos de controlo da cadeia de fornecimento de medicamentos.
As autoridades apelam ainda aos cidadãos para que adquiram medicamentos apenas em estabelecimentos autorizados e denunciem qualquer suspeita de comercialização ilegal, contribuindo para a protecção da saúde pública e para a preservação dos recursos do Estado.
Fonte: TV Miramar / ANARME.
