MÃE ACUSADA DE QUEIMAR A FILHA POR ALEGADO FURTO DE CINCO METICAIS: CASO RECORDA EPISÓDIO SEMELHANTE REGISTADO EM 2022


MÃE É NOVAMENTE ACUSADA DE QUEIMAR A FILHA POR ALEGADO FURTO DE CINCO METICAIS: CASO RECORDA EPISÓDIO SEMELHANTE REGISTADO EM 2022


Uma mulher de 28 anos é acusada de ter queimado as nádegas da própria filha, de oito anos de idade, com um ferro de engomar, no posto administrativo de Chissano, distrito do Limpopo, província de Gaza. O caso, divulgado pela Miramar, voltou a despertar indignação pública e faz lembrar um episódio muito semelhante ocorrido em 2022, também relacionado com o alegado furto de cinco meticais por uma criança.


Segundo relatos da menor, a agressão ocorreu depois de a mãe descobrir que a filha tinha levado cinco meticais para comprar lanche na escola. Apesar das queimaduras, a criança foi às aulas, onde os professores se aperceberam do seu estado, alertaram os familiares e acionaram as autoridades competentes.


A menor afirmou que esta não foi a primeira vez que sofreu agressões por parte da mãe. Segundo o seu testemunho, era frequentemente espancada por motivos relacionados com tarefas domésticas, como lavar a louça.


A tia da vítima, irmã da acusada, denuncia um histórico de maus-tratos, afirmando que a criança já foi agredida com um martelo nos dedos, espancada e ameaçada de morte. A família refere que tentou várias vezes aconselhar a mãe a abandonar estes comportamentos, mas sem resultados.


Também a avó materna manifestou preocupação, afirmando que procurou sensibilizar a filha para deixar de agredir as crianças. Os familiares alegam ainda que existem outros episódios de violência envolvendo os filhos da acusada, incluindo um alegado caso ocorrido na África do Sul.


O pai da menina encontra-se a trabalhar na África do Sul. Após a agressão, a criança foi retirada da casa da mãe e encontra-se sob os cuidados da avó materna. Recebeu assistência médica no Hospital Distrital do Limpopo, mas, segundo a família, continua com dificuldades para caminhar devido à gravidade das queimaduras.


Os familiares afirmam que a mãe chegou a ser detida, mas foi libertada no mesmo dia, situação que dizem desconhecer as razões. Por isso, apelam às autoridades para que o caso seja investigado até às últimas consequências e que seja garantida a proteção da menor.


A equipa da Miramar tentou ouvir a versão da acusada, mas a mulher recusou-se a sair da residência e não prestou qualquer declaração.


Caso semelhante em 2022


A situação faz recordar um caso registado em agosto de 2022, quando uma mulher de 42 anos foi detida no Posto Policial de Nkobe, igualmente acusada de agredir a filha, então com seis anos de idade, por alegadamente ter furtado cinco meticais.


Na ocasião, segundo a polícia, a criança foi espancada com um cabo eléctrico e teve as mãos queimadas com um ferro de engomar. A menor não foi levada ao hospital e permaneceu trancada em casa até que vizinhos denunciaram o caso às autoridades, permitindo o seu resgate. A suspeita negou as acusações na altura.


Embora separados por vários anos e envolvendo pessoas diferentes, os dois casos apresentam circunstâncias semelhantes e voltam a levantar preocupações sobre a violência contra crianças e a necessidade de reforçar os mecanismos de proteção dos menores em Moçambique.

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