O secretário de Estado da província de Manica, Lourenço Lindonde, anunciou, esta sexta-feira, a suspensão imediata das actividades de extracção de ouro em vários pontos da província, na sequência dos danos ambientais provocados pela exploração desordenada do recurso.
A decisão surge após sucessivas denúncias de comunidades ribeirinhas sobre a poluição dos principais cursos de água, nomeadamente os rios Revué, Zembe e Nhancuarara, utilizados pelas populações para consumo doméstico, regadio e pesca.
A exploração artesanal e semi-industrial de ouro, muitas vezes feita sem qualquer controlo técnico, tem resultado no despejo directo de sedimentos, mercúrio e outros químicos nos rios, deixando as águas turvas e impróprias para o consumo humano. Agricultores que dependem da irrigação alertam que as culturas estão a ser prejudicadas, enquanto pescadores lamentam a redução drástica da fauna aquática.
“Já não conseguimos usar a água para beber, nem para cozinhar. Até os animais recusam-se a beber”, disse um residente de Manica, em declarações à imprensa local.
Para além da poluição, a extracção descontrolada de ouro tem provocado desflorestação, erosão dos solos e destruição de campos agrícolas, colocando em risco a segurança alimentar das comunidades. Em algumas localidades, escolas e habitações encontram-se ameaçadas pelo avanço de crateras abertas pelas dragas e escavadoras.
Organizações ambientais têm vindo a alertar que a situação em Manica é um exemplo claro de como a exploração não regulamentada dos recursos naturais pode transformar riqueza em tragédia social.
O secretário de Estado, Lourenço Lindonde, avisou que, caso práticas nocivas persistam, a suspensão será igualmente alargada ao distrito de Sussundenga, outra região com intensa actividade mineira. “Não podemos permitir que a busca de riqueza comprometa a vida das pessoas e a sustentabilidade dos recursos”, declarou o governante.
As autoridades prometem reforçar a fiscalização e responsabilizar operadores que actuem à margem da lei, incluindo a possibilidade de encerrar definitivamente as concessões reincidentes.
Especialistas defendem que, para além de medidas punitivas, é urgente promover alternativas económicas para as comunidades dependentes da mineração artesanal, de forma a reduzir a pressão sobre o ambiente.
Enquanto isso, milhares de famílias continuam a viver o drama diário de procurar água potável em rios que, há poucos anos, eram fonte de vida e hoje se tornaram corredores de lama e veneno.
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