Moradores do Golfo clamam por intervenção urgente das autoridades policiais
Maputo — A criminalidade voltou a ganhar força nos bairros periféricos da cidade de Maputo, com destaque para a zona do Golfo, localizada entre os bairros Ferroviário e Polana Caniço. O local, que já foi conhecido pela tranquilidade e convivência pacífica entre os moradores, transformou-se hoje num dos pontos mais temidos da capital, devido à actuação constante de grupos armados com catanas e outros objectos cortantes.
Segundo relatos recolhidos no terreno, só na última semana, pelo menos cinco pessoas foram gravemente feridas e uma perdeu a vida, após ser atacada por indivíduos identificados pelos residentes como “homens-catanas”. As vítimas foram surpreendidas durante a noite, quando regressavam das suas actividades quotidianas.
“Vivemos num verdadeiro clima de medo. Ninguém se sente seguro, nem dentro de casa. Esses indivíduos aparecem do nada, armados e violentos. Leva-se o que se tem, e quem resiste é atacado sem piedade”, contou uma moradora que preferiu não se identificar por receio de represálias.
Os residentes afirmam que os assaltos têm ocorrido com frequência e em plena luz do dia, sem que haja resposta efectiva por parte das forças da ordem. A presença policial é escassa, e quando aparece, é geralmente depois dos incidentes.
A situação tem levado a população ao desespero. Alguns moradores dizem já ter perdido a esperança e ameaçam recorrer à justiça popular caso as autoridades não tomem medidas concretas. “Se a polícia não agir, vamos agir nós mesmos. Estamos cansados de ver pessoas a morrerem nas mãos desses criminosos”, desabafou um jovem residente.
Entretanto, os moradores defendem que não bastam operações pontuais. Reclamam uma presença policial permanente, iluminação pública funcional e reabilitação das vias de acesso, que se encontram em más condições e favorecem o esconderijo dos malfeitores.
A insegurança pública continua a ser uma das principais preocupações nos bairros periféricos de Maputo, onde o crescimento populacional, o desemprego e a ausência de policiamento efectivo criam terreno fértil para a criminalidade. Enquanto se espera pela resposta das autoridades, os habitantes do Golfo vivem em constante sobressalto — entre o medo, a revolta e a incerteza sobre o que lhes reserva a próxima noite.



