Um caso insólito está a agitar a cidade de Nampula, envolvendo uma mulher moçambicana acusada de ter simulado a existência de um filho com um cidadão português para beneficiar de pensão de alimentos durante três anos consecutivos.
Segundo apurou a TV Miramar, a mulher, cuja identidade ainda não foi revelada, convenceu o português António Cardoso, actualmente residente na Rua Carvalhal de Turquel, em Portugal, de que teria dado à luz um filho seu, de nome fictício Jorge.
Entre 2022 e 2025, o suposto pai enviou 22 mil meticais mensais à mulher, acreditando estar a cumprir com as suas obrigações paternas. No total, estima-se que a alegada burladora tenha recebido cerca de 792 mil meticais, através de transferências internacionais regulares.
A história começou em 2017, no bairro de Muatala, cidade de Nampula, quando António Cardoso conheceu a mulher durante a sua estadia em Moçambique. O relacionamento evoluiu rapidamente: apaixonaram-se, noivaram e viajaram juntos a Portugal, onde foram apresentados à família do português.
No entanto, após algum tempo, a mulher regressou a Moçambique e, segundo fontes locais, iniciou um novo relacionamento, chegando mesmo a noivar novamente, passando a manter duas vidas paralelas — uma em Portugal e outra em Moçambique.
No final de 2021, Cardoso foi forçado a regressar ao seu país devido à expiração do visto. Um ano depois, recebeu a notícia de que era pai de uma criança nascida em Nampula. Convencido, o homem começou a enviar mensalmente dinheiro para o alegado sustento do bebé.
De acordo com declarações prestadas à Miramar, António Cardoso disse ter ficado inicialmente feliz com a notícia da paternidade, mas a alegria transformou-se em suspeita quando, nos últimos meses, todas as tentativas de videochamada com a mulher e o suposto filho falharam sistematicamente.
“Ela arranjava sempre desculpas: ou dizia que a internet estava fraca, ou que o bebé estava a dormir. Nunca consegui ver o rosto da criança”, contou o cidadão português.
Intrigado, António pediu ajuda a amigos residentes em Nampula para verificarem a situação. Após algumas diligências, descobriu que o filho nunca existiu e que tudo não passava de uma encenação cuidadosamente montada para obter dinheiro.
A equipa da Miramar deslocou-se ao bairro de Mutauanha, onde a mulher residia, mas não conseguiu localizá-la. Familiares afirmaram não saber do seu paradeiro, e há suspeitas de que a mesma tenha abandonado a cidade.
As autoridades locais ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso, mas fontes próximas ao processo indicam que poderão ser abertas investigações por burla e falsificação de informação familiar, uma vez que há evidências de transferência de valores e manipulação de dados pessoais.
Enquanto isso, António Cardoso, visivelmente abalado, diz sentir-se traído e enganado, lamentando não apenas a perda financeira, mas também a confiança depositada num amor que acreditava ser verdadeiro.
“Pensei que tinha formado uma família, mas afinal vivi três anos de ilusão. Fui enganado de forma cruel”, desabafou o português.
O caso está a gerar grande debate em Nampula e nas redes sociais, levantando questões sobre relações à distância, confiança digital e burlas sentimentais, um fenómeno que tem vindo a crescer nos últimos anos, com vítimas dentro e fora do país.


