Vice-Comandante Aquilasse Manda evita confirmar envolvimento de agentes, mas admite infiltração criminosa na corporação
A tensão cresce nas fileiras da Polícia da República de Moçambique (PRM) após uma sucessão de assassinatos de oficiais e agentes, registados nos últimos meses em várias províncias do país. Embora os indícios apontem para possíveis ajustes de contas internos, o Vice-Comandante-Geral da PRM, Aquilasse Kapangula Manda, optou por não confirmar nem desmentir as suspeitas, deixando o caso em aberto e alimentando o debate público sobre a integridade da instituição.
O dirigente reagiu esta semana ao homicídio da Comandante Distrital de Marracuene, ocorrido em circunstâncias ainda obscuras. À margem da cerimónia de apresentação da nova Comandante Provincial de Sofala, Manda reconheceu que a PRM enfrenta desafios sérios de ordem interna, incluindo a presença de elementos criminosos infiltrados nas suas estruturas.
“Para estes casos particulares não posso afirmar se é mesmo dentro da Polícia ou fora, mas estamos a trabalhar para encontrar o que isso significa e quem são as pessoas que assim o fizeram”, declarou o Vice-Comandante.
A sua declaração surge num momento em que cresce o número de homicídios direccionados a membros da corporação, alguns deles com características de execuções premeditadas. Apesar da gravidade dos casos, nenhum resultado concreto de investigação foi até agora tornado público, alimentando suspeitas de silenciamento interno e impunidade.
Manda, porém, assegura que as autoridades estão empenhadas em esclarecer cada ocorrência:
“É uma situação que preocupa a PRM e o Ministério do Interior. Há acções em curso para neutralizar os malfeitores e esclarecer os casos que afectaram directamente os nossos membros. Estamos a trabalhar para identificar os prevaricadores, que serão processados e levados a tribunal”, garantiu.
Fontes internas da corporação admitem, sob anonimato, que as rivalidades e desconfianças internas têm crescido, sobretudo em sectores operativos e de investigação. Analistas em segurança pública alertam que a fragilidade disciplinar e a corrupção podem estar a abrir espaço para redes criminosas operarem com conivência de alguns agentes.
“A investigação está a decorrer. Há casos que já transitaram para a procuradoria e para os tribunais, mas ainda não temos informação definitiva. Dentro em breve esperamos ter o espelho do que realmente aconteceu”, acrescentou Manda, sem avançar prazos nem nomes.
Enquanto as investigações seguem em sigilo, o clima dentro da corporação é de temor e desconfiança, com agentes a exigirem maior transparência e protecção. Observadores afirmam que a credibilidade da PRM está em jogo, caso não sejam esclarecidos, com celeridade e rigor, os contornos dos homicídios que estão a atingir os próprios guardiões da lei.
