Maputo, 15 de Outubro de 2025 — Depois de momentos de pranto, rejeição e dor, a jovem gestante que havia sido mandada regressar à casa no Hospital Geral de Mavalane volta a sorrir, agora com o seu bebé nos braços.
O caso, que indignou o público e gerou intensa comoção nas redes sociais, levou a Direcção de Saúde da Cidade de Maputo a agir com prontidão e humanidade.Na manhã desta Quarta-feira, a Directora do Serviço de Saúde da Cidade de Maputo, Paloma Maripiha, deslocou-se ao Hospital Central de Maputo para visitar a jovem mãe, que se encontra sob cuidados médicos naquela unidade de referência. A visita teve como objectivo expressar solidariedade institucional, acompanhar de perto o estado de saúde da parturiente e reafirmar o compromisso de um atendimento digno e humanizado em todas as unidades sanitárias da capital.
Num gesto de empatia e respeito, a Directora ofereceu à jovem um enxoval completo, composto por roupas para bebé, fraldas e produtos de higiene, gesto simbólico que materializa o “abraço” da instituição a quem outrora fora escorraçada e humilhada.
Durante a visita, a Dra. Paloma Maripiha reconheceu a gravidade da situação e destacou que episódios como este não devem repetir-se:
“O nosso dever é cuidar com humanidade e dignidade. Continuaremos a trabalhar para que cada utente, independentemente da sua condição, seja acolhido e tratado com respeito e compaixão,” sublinhou.
A jovem mãe, visivelmente emocionada, agradeceu pelo gesto e pela prontidão da Direcção de Saúde em intervir, referindo que o momento representou “um reencontro com a esperança e a confiança no sistema de saúde”.
A Direcção de Saúde da Cidade de Maputo assegura que estão a ser tomadas medidas administrativas e disciplinares para apurar as circunstâncias do incidente ocorrido no Hospital Geral de Mavalane, de modo a prevenir futuras ocorrências e reforçar a cultura de responsabilidade profissional e ética no atendimento ao público.
A sociedade moçambicana reagiu com aplauso à atitude da Direcção, considerando-a um exemplo de liderança sensível, que responde não apenas com palavras, mas com acções concretas.
Entretanto, o caso levanta interrogações profundas:
Onde estaria esta jovem se o episódio não tivesse sido filmado e divulgado? Quantas outras mulheres passam por experiências semelhantes sem que ninguém veja ou denuncie?
A resposta institucional, desta vez, foi rápida e humana — mas o desafio permanece: reconstruir a confiança entre os utentes e o sistema de saúde, garantindo que cada mãe, cada criança, e cada cidadão seja tratado com o respeito e a dignidade que merecem.


