China propõe novo modelo de liderança global para um mundo mais justo e cooperativo


 Pequim, 13 de Novembro de 2025 — A Agência de Notícias Xinhua, através do seu grupo de reflexão de alto nível, apresentou um relatório intitulado “Construir em Conjunto uma Nova Liderança Global”, no qual defende a criação de um novo modelo de governação internacional baseado na cooperação, justiça e solidariedade entre as nações. O documento analisa o atual défice de liderança global e propõe uma alternativa à ordem mundial dominada por interesses hegemónicos.

Segundo o relatório, o mundo vive um momento de profunda transição histórica, caracterizado por crises sobrepostas — desde a insegurança global e os conflitos regionais até às desigualdades económicas e à fragmentação cultural. A Xinhua considera o ano de 2025 um marco decisivo na história contemporânea, assinalando o 80.º aniversário da vitória sobre o fascismo e da fundação das Nações Unidas, eventos que lembram a importância da solidariedade internacional.

Contudo, o texto aponta que essa solidariedade está hoje ameaçada pelo abandono de responsabilidades por parte das grandes potências, sobretudo os Estados Unidos, acusados de se afastarem das suas obrigações internacionais e de adotarem políticas unilaterais que minam o multilateralismo. O relatório descreve Washington como “a principal fonte de instabilidade e de défice de liderança global”, devido à política de “América Primeiro”, ao protecionismo económico e ao recuo em compromissos multilaterais.

A análise identifica três sintomas centrais do atual défice de liderança: a fragilidade da paz, o desequilíbrio no desenvolvimento global e a crescente discórdia entre civilizações. Conflitos armados persistem em várias regiões — do Médio Oriente à África —, enquanto as disparidades económicas entre o Norte e o Sul global continuam a alargar-se. Paralelamente, a proliferação de discursos extremistas e o ressurgimento de ideologias excludentes alimentam a desconfiança entre povos e culturas.

Em resposta a este cenário, o relatório apela a uma reconstrução da liderança global assente em novos princípios de cooperação e benefício mútuo, substituindo a lógica de hegemonia pela lógica de ganhos partilhados. A proposta chinesa enfatiza que a liderança mundial do século XXI não deve emanar de uma única potência ou bloco, mas sim resultar de uma sinergia multilateral, com participação equilibrada de todos os países e regiões.

A Xinhua sublinha o papel da China como “força construtiva num mundo em transformação”, destacando as suas contribuições para a estabilidade e o desenvolvimento global. Entre os exemplos citados estão as reformas propostas no sistema das Nações Unidas, o apoio à cooperação Sul-Sul, a criação de mecanismos financeiros alternativos como o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas e o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, além da promoção de iniciativas de grande alcance como a Iniciativa do Cinturão e Rota.

O relatório apresenta ainda um conjunto de estratégias concretas para a construção de uma nova liderança global, alicerçadas em quatro eixos:

  1. Valores comuns da humanidade, como a paz, a igualdade e a justiça;
  2. Reforço do multilateralismo, com o fortalecimento da ONU e de instituições regionais;
  3. Promoção de uma globalização inclusiva, que reduza o fosso entre países ricos e pobres;
  4. Criação de uma Comunidade com um Futuro Partilhado para a Humanidade, orientada para o bem comum.

Para a China, este novo modelo de liderança deve “transcender a lógica hegemónica” e priorizar uma ordem internacional mais racional, transparente e equilibrada, onde o desenvolvimento sustentável e a dignidade humana sejam prioridades.

O documento conclui afirmando que “um novo tempo exige uma nova liderança”, sustentando que apenas através da cooperação, da solidariedade e do respeito mútuo será possível garantir um futuro de paz duradoura 

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