A Polícia da República de Moçambique (PRM) desmentiu, esta semana, informações postas a circular nas redes sociais e em alguns círculos comunitários segundo as quais os assaltantes mortos num recente confronto armado no distrito de Molevala seriam agentes da corporação. Em comunicado e em declarações a órgãos de comunicação social, a PRM foi categórica: nenhum dos indivíduos abatidos integra os seus quadros.
De acordo com fontes policiais locais, trata-se de uma quadrilha composta por quatro cidadãos, suspeitos de protagonizar uma série de assaltos contra agentes económicos naquela circunscrição. O grupo foi surpreendido pela população, com o apoio das autoridades, o que resultou numa troca de tiros de elevada intensidade. Do confronto resultaram duas mortes entre os assaltantes, enquanto os outros dois elementos colocaram-se em fuga e continuam a ser activamente procurados.
A PRM confirmou, contudo, a detenção de um agente da corporação, indiciado de conivência com o grupo criminoso. Segundo a polícia, uma das motorizadas utilizadas pelos assaltantes pertence ao referido agente, facto que levantou fortes suspeitas e levou à sua imediata detenção para averiguações. “O membro em causa encontra-se sob custódia e será responsabilizado caso se confirme o seu envolvimento”, assegurou uma fonte da PRM em Molevala.
Informações apuradas pela Miramar indicam que, durante o confronto, a quadrilha alvejou seis membros da comunidade. Dois cidadãos perderam a vida no local, enquanto outros quatro sofreram ferimentos e encontram-se a receber cuidados médicos no Hospital Distrital de Molevala. As autoridades de saúde confirmam que os feridos estão estáveis, embora permaneçam sob observação.
A corporação sublinha que as investigações prosseguem no terreno, com o objectivo de capturar os dois suspeitos foragidos e esclarecer, em toda a sua extensão, o grau de envolvimento do agente detido com a rede criminosa. A PRM reafirma ainda o seu compromisso com a legalidade, a disciplina interna e a protecção das comunidades, apelando à população para que evite a disseminação de informações não confirmadas e continue a colaborar com as autoridades.
Em Molevala, o ambiente é de consternação e expectativa. A população exige respostas claras e medidas firmes para travar a criminalidade, enquanto a polícia garante que o caso será tratado “com rigor e sem contemplações”. Aqui não há floreados: quem estiver metido no crime, seja civil ou fardado, vai ter de responder. É assim que se limpa a casa e se recupera a confiança pública.

