O porto de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, regista uma redução significativa no manuseamento de carga e na atracagem de navios, numa tendência que está a gerar apreensão entre autoridades locais e operadores económicos da região norte do país.
Fontes locais ligadas ao sector marítimo e logístico indicam que, nos últimos meses, o fluxo de embarcações reduziu de forma acentuada, acompanhado por uma diminuição do volume de mercadorias movimentadas. A situação contrasta com períodos anteriores, em que o porto desempenhava um papel estratégico no abastecimento de distritos como Mueda, Muidumbe, Palma, Macomia e Nangade.
Dados recentes apontam para um cenário de estagnação e quebra nas exportações e importações, afectando não só o porto de Mocímboa da Praia, como também outras infra-estruturas portuárias da província, como o porto de Pemba .
Gerido pela empresa Civitas Partners Group, o porto constitui uma peça-chave na logística regional, sobretudo numa zona marcada por desafios de acesso rodoviário e por um histórico recente de instabilidade. Especialistas ouvidos no terreno referem que a redução do movimento poderá estar associada a vários factores, com destaque para questões de segurança, diminuição da actividade económica e retração de investimentos privados.
Importa recordar que Mocímboa da Praia foi durante anos um dos epicentros da insurgência armada em Cabo Delgado, tendo inclusive estado sob controlo de grupos extremistas entre 2020 e 2021, facto que provocou a paralisação total das actividades portuárias durante esse período . Apesar da retoma gradual após a reposição da segurança, os efeitos do conflito continuam a fazer-se sentir.
Relatórios recentes indicam igualmente que o recrudescimento esporádico de ataques na região continua a comprometer os esforços de reconstrução e a afastar potenciais parceiros económicos . Esta instabilidade influencia directamente a confiança dos operadores marítimos e comerciais, reduzindo a frequência de escalas no porto.
Outro elemento apontado é a fragilidade da segurança marítima ao longo da costa de Cabo Delgado, onde se tem registado actividade insurgente, incluindo ataques a embarcações, o que levanta preocupações adicionais para transportadores e empresas logísticas .
Autoridades locais admitem que a situação exige medidas urgentes para revitalizar o porto, incluindo o reforço da segurança, incentivos à actividade económica e melhoria das infra-estruturas de apoio. Sem essas intervenções, alertam, o porto poderá perder relevância estratégica numa região que depende fortemente do transporte marítimo para o abastecimento de bens essenciais.
O porto de Mocímboa da Praia, historicamente relevante como ponto de ligação comercial no norte do país e próximo à fronteira com a Tanzânia, continua assim a enfrentar um processo lento de recuperação, num contexto em que a estabilidade e a confiança permanecem factores determinantes para o seu relançamento.
