População mata suposto praticante de “magia negra” em Ancuabe e agrava clima de pânico na província


 Cabo Delgado: População mata suposto praticante de “magia negra” em Ancuabe e agrava clima de pânico na província


Um cidadão perdeu a vida, na manhã desta quinta-feira, 23 de Abril de 2026, na localidade de Nanjua, distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, após ser acusado pela população de envolvimento em práticas de alegada “magia negra”, num cenário de crescente tensão social ligado a relatos de suposto encolhimento de órgãos genitais.


Segundo informações recolhidas junto de fontes locais e confirmadas por órgãos de comunicação comunitários, o indivíduo foi capturado por populares por volta das 10 horas, tendo sido imediatamente agredido até à morte, sem qualquer intervenção prévia das autoridades.


Testemunhas no terreno relatam que a acção foi rápida e violenta, reflectindo o nível de pânico que se instalou em vários pontos da província. “Foi logo ali, não demorou. A população já estava revoltada com estes casos que andam a acontecer”, descreveu uma fonte residente, sob anonimato.


Clima de medo alastra em Cabo Delgado


Desde o início da semana, distritos como Pemba, Mocímboa da Praia, Palma e Nangade têm registado episódios de histeria colectiva associados a alegações de que indivíduos desconhecidos estariam a provocar o desaparecimento ou redução de órgãos genitais apenas com contacto físico, sobretudo ao tocar nos ombros das vítimas.


Na cidade de Pemba, epicentro recente da situação, o ambiente tem sido descrito como tenso e instável. Há registo de paralisação parcial de actividades, incluindo o encerramento temporário de algumas escolas, motivado pelo receio generalizado entre alunos, professores e encarregados de educação.


A Polícia da República de Moçambique (PRM), através da sua porta-voz no Comando Provincial de Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua, confirmou a detenção de vários indivíduos envolvidos em actos de violência contra supostos suspeitos, apelando à calma e ao respeito pela lei.


“A população deve abster-se de fazer justiça pelas próprias mãos. Estes actos são crimes e serão responsabilizados”, advertiu a fonte policial.


Ausência de explicação científica e proliferação de crenças


Até ao momento, não existe qualquer explicação científica ou médica que sustente os alegados fenómenos reportados. Especialistas de saúde consultados informalmente indicam tratar-se, possivelmente, de episódios de pânico colectivo, frequentemente alimentados por desinformação e crenças culturais.


Apesar disso, multiplicam-se recomendações populares sem base comprovada. Entre elas, destaca-se o uso de alfinetes e elásticos — tradicionalmente utilizados para prender dinheiro — como suposta forma de prevenção, aconselhamento atribuído a alguns praticantes de medicina tradicional.


Entretanto, o representante da medicina tradicional na região norte, Evaristo Muhano, afirmou não haver uma explicação clara para os ঘটনmenos, embora tenha sugerido que possam ter origem externa. Muhano admitiu ainda suspeitas, não confirmadas, de eventual ligação com redes de tráfico de órgãos humanos — uma hipótese que carece de investigação aprofundada pelas autoridades competentes.


Autoridades apelam à serenidade


Face ao agravamento da situação, fontes governamentais e forças de defesa e segurança reforçam o apelo à calma, sublinhando a necessidade de evitar a propagação de rumores e de recorrer às vias legais para qualquer denúncia.


Analistas sociais alertam que episódios desta natureza, quando não controlados, podem rapidamente degenerar em ciclos de violência comunitária, colocando em risco vidas inocentes.

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem