A EXECUÇÃO RESULTA DE SUSPEITAS DE PRÁTICA DE CAÇA ILEGAL DE RINOCERONTES
Cinco cidadãos moçambicanos morreram durante uma operação policial contra caça furtiva na província sul-africana de KwaZulu-Natal, após serem suspeitos de envolvimento no abate ilegal de rinocerontes numa reserva de conservação próxima do parque Hluhluwe-iMfolozi, uma das principais áreas protegidas da África do Sul.
De acordo com informações avançadas pela polícia sul-africana, os indivíduos seguiam pela estrada R618 em direcção a uma reserva de caça quando foram interceptados por uma equipa policial destacada para uma operação de controlo e revista. As autoridades afirmam que, no momento da abordagem, teria ocorrido uma troca de tiros entre os suspeitos e os agentes, culminando na morte dos cinco moçambicanos no local. Nenhum membro da polícia ficou ferido durante a operação.
Segundo o porta-voz da polícia da província de KwaZulu-Natal, coronel Robert Netshiunda, os suspeitos estavam na posse de uma espingarda de caça equipada com silenciador, além de duas pistolas, material frequentemente associado às redes de caça furtiva de rinocerontes que actuam na região.
As autoridades sul-africanas acreditam que o grupo estaria envolvido no abate de pelo menos dois rinocerontes para extracção dos chifres, considerados um dos produtos mais valiosos do tráfico ilegal de fauna bravia. No mercado clandestino internacional, um quilograma de chifre de rinoceronte pode atingir valores superiores a 60 mil dólares norte-americanos, alimentando redes criminosas transnacionais ligadas ao contrabando de espécies protegidas.
Grande parte da procura vem de mercados asiáticos, sobretudo na China e no Vietname, onde os chifres são usados em práticas da medicina tradicional e também associados a símbolos de prestígio e riqueza. Apesar de estudos científicos não comprovarem propriedades medicinais relevantes, a procura continua elevada, incentivando a caça ilegal em vários países africanos.
A região de Hluhluwe-iMfolozi, onde ocorreu o confronto, é considerada uma das zonas mais afectadas pela caça furtiva de rinocerontes na África do Sul. Ainda assim, dados recentes do Departamento sul-africano de Florestas, Pescas e Ambiente indicam uma redução nos casos de abate ilegal naquela reserva, passando de 198 rinocerontes mortos em 2024 para 63 em 2025, graças ao reforço da vigilância, uso de tecnologia de monitoria e operações conjuntas de segurança.
Moçambique continua a ser apontado pelas autoridades sul-africanas como uma das principais rotas usadas por redes de caça furtiva que operam na África Austral, devido à proximidade com parques e reservas sul-africanas, incluindo o Parque Nacional Kruger. Nos últimos anos, centenas de cidadãos moçambicanos foram detidos, condenados ou mortos em operações relacionadas com tráfico de fauna bravia.
