🥊🇲🇿 Falta de Verbas Afasta Moçambique do Regional Africano de Boxe na Namíbia


A desistência de Moçambique do Campeonato Africano de Boxe da Zona IV caiu como um directo no rosto do pugilismo nacional. A poucos dias do arranque da competição, na cidade namibiana de Katima Mulilo, a Federação Moçambicana de Boxe (FMBoxe) viu-se obrigada a cancelar a participação da selecção nacional devido à falta de condições financeiras e logísticas, frustrando atletas que sonhavam defender o título conquistado em 2025, em Maputo.


A decisão, segundo fontes ligadas ao movimento associativo desportivo nacional, foi tomada depois de se concluir que seria impossível garantir transporte e estadia para uma delegação numerosa. O plano inicial passava por uma longa viagem por estrada, atravessando milhares de quilómetros até ao extremo Nordeste da Namíbia. Porém, os custos operacionais acabaram por ultrapassar a capacidade financeira da federação.


Katima Mulilo, palco da competição, localiza-se numa zona distante dos principais centros urbanos da Namíbia, o que agravou ainda mais o cenário logístico. A deslocação implicava despesas elevadas com alimentação, combustível, alojamento e segurança da delegação, composta por cerca de 20 a 25 pugilistas, treinadores e dirigentes.


A ausência moçambicana representa mais do que uma simples desistência. Para muitos atletas, o torneio regional seria uma rara oportunidade de voltar ao ringue internacional depois de vários meses sem competição. Alguns pugilistas vinham intensificando a preparação desde o início do ano, com sessões diárias em Maputo, Beira e Nampula, alimentando a esperança de garantir vagas e visibilidade para o Campeonato Africano previsto para o Quénia.


Nos corredores da FMBoxe, o sentimento dominante é de frustração. Depois do histórico triunfo alcançado em Maputo no ano passado, quando Moçambique terminou a competição como campeão regional, existia confiança de que a selecção poderia voltar a discutir os primeiros lugares. A expectativa era ainda maior pelo facto de o país possuir uma nova geração de boxeurs considerados promissores pelos técnicos nacionais.


Entretanto, a crise financeira que afecta o desporto nacional continua a provocar baixas em diferentes modalidades. O Fundo de Promoção Desportiva (FPD), instituição responsável pelo apoio financeiro às federações, enfrenta limitações orçamentais que têm condicionado a participação de selecções nacionais em provas internacionais. Nos últimos meses, várias equipas de modalidades colectivas e individuais cancelaram deslocações ao estrangeiro devido à falta de fundos.


Sem Moçambique, o Campeonato Africano da Zona IV reúne algumas das principais potências do boxe na África Austral, com destaque para a anfitriã Namíbia, África do Sul, Zâmbia, Zimbabwe e Angola. A competição serve igualmente de preparação e qualificação para compromissos continentais de maior dimensão.


Enquanto isso, no seio do boxe moçambicano, cresce o receio de que a falta de competitividade internacional possa atrasar o desenvolvimento de talentos emergentes. Técnicos e antigos pugilistas defendem uma intervenção urgente para evitar que o país perca espaço numa modalidade onde historicamente já conquistou respeito ao nível regional.


O ringue em Katima Mulilo foi montado, os combates arrancaram e os aplausos ecoam na arena namibiana. Mas desta vez, as luvas moçambicanas ficaram penduradas fora da competição.

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