HCM adopta tolerância zero contra furtos de bens hospitalares


 A Direcção do Hospital Central de Maputo (HCM) anunciou a adopção de uma política de tolerância zero face à crescente onda de furtos de bens que tem vindo a afectar aquela que é a maior unidade sanitária do País.


A posição foi tornada pública pela Directora-Geral da instituição, Farida Urci, durante uma sessão do Conselho de Direcção alargado, realizada no passado dia 28 de Abril, encontro que reuniu quadros seniores e responsáveis de diferentes sectores hospitalares.


Visivelmente agastada, a dirigente não poupou palavras ao classificar a situação como “inadmissível”, sobretudo tendo em conta o contexto de limitações orçamentais que o hospital enfrenta. “Não é aceitável que, numa altura em que os recursos são escassos e o financiamento tende a reduzir de forma progressiva, se verifiquem práticas que lesam directamente o funcionamento da instituição e o atendimento ao doente”, afirmou.


Segundo dados apresentados pelo Departamento de Controlo Interno do HCM, ao longo do ano passado foram registados 111 casos de furtos, que resultaram num prejuízo superior a um milhão de meticais. Valores que, de acordo com a Direcção, seriam suficientes para reforçar o stock de medicamentos e melhorar as condições de assistência aos utentes.


As investigações internas indicam que os furtos são protagonizados por funcionários de diferentes categorias profissionais, incluindo pessoal médico, facto que agrava ainda mais a gravidade da situação e levanta sérias questões éticas no seio da instituição.


Face ao cenário, Farida Urci garantiu a adopção de medidas disciplinares severas contra os infractores. “Haverá mão dura. Os prevaricadores estarão sujeitos a sanções que vão desde processos disciplinares até à expulsão e demissão”, advertiu.


A decisão foi acolhida com aplausos pelos participantes do encontro, que se comprometeram a reforçar os mecanismos internos de vigilância e controlo, particularmente nas áreas críticas da cadeia de abastecimento e armazenamento de bens hospitalares.


Para além de desvios internos, o hospital tem igualmente registado furtos praticados por indivíduos alheios à instituição, que se fazem passar por utentes ou acompanhantes com o objectivo de subtrair bens de doentes e familiares. Há ainda registo de vandalização de infra-estruturas, incluindo sanitários, de onde são retirados componentes da loiça sanitária.


Perante este quadro, a Direcção do HCM solicitou a intervenção das autoridades policiais, tendo sido garantido o reforço das medidas de segurança no perímetro hospitalar. A expectativa é de que a acção conjunta entre os serviços internos e a polícia contribua para travar a onda de criminalidade que compromete o normal funcionamento da unidade.


Entretanto, fontes ligadas ao sector da Saúde defendem que, para além das medidas repressivas, será fundamental investir na melhoria das condições de trabalho e no reforço da ética profissional, como forma de prevenir comportamentos desviantes no futuro.


O Hospital Central de Maputo é a principal unidade hospitalar de referência no País, recebendo diariamente milhares de utentes provenientes da cidade e de outras províncias, o que torna a preservação dos seus recursos uma questão crítica para o sistema nacional de saúde.

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