MOTORISTA DE AUTOCARRO INTERPROVINCIAL INIBIDO DE CONDUZIR POR CINCO ANOS APÓS MANOBRA PERIGOSA



Um vídeo de poucos segundos, gravado por um passageiro e disseminado rapidamente nas redes sociais, acabou por mudar drasticamente a vida profissional de um motorista de transporte interprovincial de passageiros em Moçambique. O condutor, filmado a efectuar uma ultrapassagem considerada perigosa e a circular a uma velocidade superior a 120 quilómetros por hora numa zona limitada a 60 km/h, foi sancionado pela Polícia da República de Moçambique (PRM) com a cassação da carta de condução por um período de cinco anos.


O caso reacendeu o debate em torno da segurança rodoviária no país, sobretudo no transporte semi-colectivo e interprovincial, frequentemente apontado por utentes como um dos sectores mais vulneráveis a práticas de condução imprudente.


Segundo informações avançadas pelas autoridades de trânsito durante uma conferência de imprensa realizada esta semana, o motorista incorreu em pelo menos três infracções graves ao Código de Estrada, entre as quais excesso de velocidade, tentativa de ultrapassagem irregular e condução perigosa, colocando em risco a vida dos passageiros e de outros automobilistas.


No vídeo amplamente partilhado nas plataformas digitais, o autocarro surge a acelerar numa estrada de faixa reduzida enquanto tenta ultrapassar um outro veículo pesado. As imagens mostram o autocarro a invadir parcialmente a via contrária num momento em que vários utentes nas redes sociais classificaram como “uma tragédia anunciada”. Em poucos minutos, o conteúdo espalhou-se por grupos de WhatsApp, Facebook e TikTok, gerando indignação pública e pressão para uma intervenção das autoridades.


A PRM confirmou ter identificado o motorista e a transportadora envolvida poucas horas após a circulação das imagens. Fontes ligadas à corporação indicam que a rápida actuação resultou também da colaboração de cidadãos que forneceram informações adicionais sobre o trajecto e o número do autocarro.


Durante a sua aparição perante a imprensa, o motorista assumiu a responsabilidade pelos actos e reconheceu que a manobra colocou dezenas de vidas em perigo.


“Cometi um erro grave. Não devia ter insistido naquela ultrapassagem”, declarou o condutor, visivelmente abalado.


Apesar disso, explicou que se encontrava numa zona onde a ultrapassagem era inicialmente permitida, alegando que o veículo que seguia à frente não facilitou a passagem. Segundo o seu relato, a situação agravou-se quando decidiu acelerar para concluir a manobra.


O motorista revelou ainda que trabalha há mais de oito anos na mesma empresa de transporte e que nunca antes havia estado envolvido em incidentes semelhantes. Disse estar arrependido e pediu desculpas públicas aos passageiros, à sua entidade patronal e aos moçambicanos em geral.


Entretanto, especialistas em segurança rodoviária defendem que o caso deve servir de exemplo para desencorajar comportamentos semelhantes nas estradas nacionais. Dados partilhados regularmente pelas autoridades mostram que o excesso de velocidade continua entre as principais causas de acidentes de viação no país, muitos deles com consequências fatais.


Nos últimos anos, vários acidentes envolvendo autocarros interprovinciais resultaram em dezenas de mortos e feridos, levando o Governo e organizações da sociedade civil a intensificarem campanhas de sensibilização sobre condução responsável.


A PRM reiterou que continuará a monitorar o comportamento dos transportadores públicos e apelou aos cidadãos para denunciarem práticas perigosas nas estradas. A corporação considera que o uso de telemóveis para registar irregularidades, quando feito sem comprometer a segurança, tem contribuído para responsabilizar infractores e prevenir tragédias.


Enquanto isso, nas redes sociais, muitos internautas consideram a medida aplicada ao motorista “dura, mas necessária”, defendendo que a preservação da vida humana deve prevalecer sobre qualquer pressão por horários, concorrência entre transportadoras ou pressa nas viagens interprovinciais.

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