No dia 8 de Junho de 2010, faltavam apenas alguns dias para o arranque do Campeonato do Mundo da FIFA, que pela primeira vez seria disputado em solo africano. Na cidade sul-africana de Joanesburgo, o Estádio Bidvest Wanderers acolheu um encontro que ficaria registado nas memórias do futebol moçambicano: o amistoso internacional entre os Mambas e a selecção de Portugal.
Numa altura em que Portugal ultimava os preparativos para a sua participação no Mundial da África do Sul, a equipa das Quinas escolheu Moçambique como adversário para afinar a máquina competitiva. Para os Mambas, tratava-se de uma oportunidade rara de medir forças com uma das selecções mais prestigiadas da Europa, recheada de jogadores que actuavam nos principais campeonatos do mundo.
A selecção nacional atravessava então um período de transição. Após a participação no CAN de Angola, existia um impasse em torno da continuidade do técnico holandês Mart Nooij, circunstância que levou o então capitão dos Mambas, Chiquinho Conde, a assumir interinamente o comando técnico da equipa nacional para este desafio de elevado grau de exigência.
Apesar da diferença de estatuto entre as duas formações, Moçambique conseguiu resistir durante toda a primeira parte, demonstrando organização defensiva, disciplina táctica e espírito competitivo. Os Mambas seguraram o empate sem golos diante de uma selecção portuguesa que contava com nomes como Ricardo Carvalho, Bruno Alves, Deco, Raul Meireles, Simão Sabrosa e Liedson.
Contudo, a pressão portuguesa acabou por surtir efeito na etapa complementar. Aos 52 minutos, Danny inaugurou o marcador para os europeus. Pouco depois, Hugo Almeida, que havia entrado ao intervalo, assumiu o protagonismo ao apontar dois golos, consolidando o triunfo português por 3-0.
Do lado moçambicano, alinharam de início Lamá, Edson Mexer, Paíto, Fanuel, Campira, Simão Mate, Dominguês, Momed Hagi, Genito, Fumo e Jerry Sitoe. Ao longo da partida, Chiquinho Conde promoveu ainda as entradas de Armando Sá, Jumisse, Josemar Machaísse, Zainadine Júnior e Whisky, numa oportunidade importante para observar diferentes opções do conjunto nacional.
Portugal apresentou um onze inicial composto por Eduardo, Miguel, Ricardo Carvalho, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Pedro Mendes, Deco, Danny, Raul Meireles, Liedson e Simão Sabrosa. Na segunda parte, o seleccionador Carlos Queiroz lançou Hugo Almeida, Miguel Veloso, Tiago, Cristiano Ronaldo, Pepe e Duda.
O encontro revelou-se um importante teste para ambas as equipas. Para Moçambique, significou enfrentar alguns dos melhores jogadores da época e ganhar experiência internacional. Para Portugal, serviu como uma das últimas etapas de preparação para o Mundial.
Dias depois, os portugueses iniciariam a sua caminhada na competição com empates sem golos frente à Côte d'Ivoire e ao Brasil, antes de protagonizarem uma das goleadas mais expressivas do torneio ao derrotarem a Coreia do Norte por 7-0. A aventura terminaria nos oitavos-de-final, com uma derrota tangencial por 1-0 diante da Espanha.
Curiosamente, seria a própria Espanha a conquistar o título mundial pela primeira vez na sua história, derrotando a Holanda por 1-0 após prolongamento na final disputada em Joanesburgo.
Passados 16 anos, aquele amistoso permanece como uma das partidas mais emblemáticas da história recente dos Mambas. Mais do que o resultado, ficou a recordação de uma geração de futebolistas moçambicanos que teve a honra de representar o país diante de uma potência mundial, num momento em que os holofotes do futebol internacional estavam voltados para África. Uma página que continua viva na memória dos adeptos e que testemunha a capacidade de Moçambique competir e afirmar-se nos grandes palcos do futebol mundial.





