NIASSA TRAVA OPERADORES FAUNÍSTICOS E EXIGE MAIS PROTECÇÃO ÀS COMUNIDADES


 Lichinga, 08 de Junho de 2026 – O Governo da Província do Niassa ordenou a suspensão imediata das actividades de exploração de recursos faunísticos de algumas entidades que operam em áreas de conservação, numa decisão que reflecte a crescente preocupação das autoridades com o agravamento do conflito entre as comunidades e a fauna-bravia.


A medida foi anunciada esta segunda-feira 08/06, pelo Secretário de Estado na Província do Niassa, Silva Livone, durante um encontro com operadores faunísticos que desenvolvem actividades na província, com especial incidência na Reserva Especial do Niassa.


A suspensão abrange a Sociedade Búfalo Safaris, que opera no distrito de Majune, a Sociedade Nhalikanga, em Marrupa, a organização WCS em Mecula, bem como toda a Direcção de Administração da Reserva Especial do Niassa.


Segundo explicou o governante, a decisão resulta do alegado incumprimento dos compromissos assumidos por estas entidades no apoio às comunidades afectadas pelos frequentes ataques de animais bravios. Nos últimos anos, várias localidades situadas junto às áreas de conservação têm enfrentado desafios crescentes causados pela invasão de campos agrícolas, destruição de culturas e ataques que, em alguns casos, provocaram vítimas humanas.


Durante a reunião, Silva Livone manifestou preocupação com aquilo que considera ser uma intervenção insuficiente dos operadores na mitigação do conflito homem-fauna-bravia. Para o dirigente, as comunidades que convivem diariamente com os riscos associados à presença de animais selvagens devem sentir benefícios concretos da exploração dos recursos naturais existentes nos seus territórios.


“Não podemos permitir que a protecção da fauna aconteça à custa da segurança das populações”, terá defendido o Secretário de Estado, reforçando que a preservação da biodiversidade deve caminhar lado a lado com a protecção da vida humana e dos meios de subsistência das comunidades locais.


A decisão surge num contexto em que diversas comunidades da província têm vindo a reclamar maior apoio para enfrentar os impactos provocados por elefantes, búfalos, hipopótamos e outros animais que frequentemente invadem machambas e zonas habitacionais. Em algumas regiões, agricultores relatam perdas significativas de produção, comprometendo a segurança alimentar das famílias.


O governante foi mais longe ao advertir que, caso as entidades abrangidas não demonstrem uma mudança efectiva de postura e um maior envolvimento na resolução dos problemas das populações, o Executivo provincial poderá adoptar medidas mais severas.


A suspensão agora decretada é vista como um sinal claro de que as autoridades pretendem reforçar a responsabilização dos operadores que actuam nas áreas de conservação, exigindo uma participação mais activa nos programas de desenvolvimento comunitário e na gestão dos conflitos entre pessoas e animais.


Enquanto se aguarda uma eventual regularização da situação por parte das entidades visadas, as comunidades afectadas esperam que a medida resulte em acções concretas capazes de reduzir os prejuízos causados pela fauna-bravia e garantir uma convivência mais equilibrada entre a conservação da natureza e o bem-estar das populações locais.


A Reserva Especial do Niassa é considerada uma das mais importantes áreas de conservação de África, albergando uma vasta diversidade de espécies animais e desempenhando um papel estratégico na preservação da biodiversidade moçambicana. Contudo, o desafio de harmonizar a conservação ambiental com as necessidades das comunidades continua a ser uma das questões mais sensíveis na gestão destes territórios.

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