Subida dos combustíveis agrava custos e famílias já não conseguem suportar nova mensalidade
A rotina de dezenas de estudantes das localidades de Mahanhane, no distrito de Boane, e Mahelane, no distrito de Namaacha, sofreu uma reviravolta preocupante após a interrupção do transporte escolar que diariamente assegurava a sua deslocação para a Escola Secundária de Changalane, na província de Maputo.
O problema surgiu na sequência da revisão dos custos de transporte, motivada pela recente subida dos preços dos combustíveis. Segundo informações avançadas pelo chefe da comissão local do transporte escolar e citadas pelo portal Notícias de Changalane, o proprietário dos autocarros que prestam o serviço propôs o aumento da mensalidade de 700 para 900 meticais, alegando que o valor anteriormente praticado já não era suficiente para suportar as despesas operacionais.
A decisão, embora compreensível do ponto de vista económico, caiu como um duro golpe para muitas famílias da região, cuja capacidade financeira já se encontra pressionada pelo aumento generalizado do custo de vida. Para vários encarregados de educação, o acréscimo de 200 meticais por aluno representa um encargo difícil de acomodar no orçamento mensal.
Enquanto pais procuram alternativas, os estudantes são os mais afectados. Muitos dependem exclusivamente do transporte escolar para percorrer os cerca de 15 quilómetros que separam as suas residências da Escola Secundária de Changalane. Sem uma solução imediata, alguns alunos já enfrentam dificuldades para comparecer às aulas, enquanto outros correm o risco de reduzir significativamente a sua frequência escolar.
Nas comunidades de Mahanhane e Mahelane, cresce a apreensão quanto ao impacto desta situação no desempenho académico dos estudantes. Pais e líderes comunitários receiam que as ausências frequentes venham a comprometer o aproveitamento escolar e, em casos extremos, conduzam ao abandono dos estudos.
A educação continua a ser um dos principais instrumentos para o desenvolvimento das comunidades rurais. Contudo, quando obstáculos ligados à mobilidade surgem sem resposta rápida, o acesso à escola transforma-se num desafio diário para centenas de famílias.
Perante este cenário, a comunidade espera que sejam encontradas soluções concertadas entre os transportadores, encarregados de educação e entidades competentes, de modo a garantir que nenhum aluno seja privado do seu direito à educação por falta de meios para chegar à escola.
A situação em Changalane volta a colocar em evidência a vulnerabilidade do transporte escolar nas zonas periféricas e rurais, onde a distância entre casa e escola continua a ser um dos maiores desafios para a permanência dos alunos no sistema de ensino.


