Maputo acolhe conferência de alto nível que destaca a necessidade de reforçar a prevenção, os sistemas de aviso prévio e o financiamento da resiliência climática.
A Comissão da União Africana (UA) defendeu, em Maputo, a necessidade de os Estados africanos passarem dos compromissos políticos para acções concretas e investimentos sustentáveis na redução do risco de desastres naturais.
A posição foi apresentada pelo Comissário da UA para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Desenvolvimento Sustentável, em representação do Presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, durante uma conferência de alto nível que reuniu dirigentes nacionais e internacionais, incluindo o Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, a Presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Celma Meque, e representantes da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e das Nações Unidas.
Na ocasião, Daniel Chapo foi referido como Campeão da União Africana para a Redução do Risco de Desastres, numa iniciativa que coloca a prevenção e a preparação para emergências no centro das prioridades continentais.
Moçambique e os desafios da resiliência climática
Durante a intervenção, o representante da União Africana destacou a experiência de Moçambique na resposta a fenómenos climáticos extremos, incluindo os ciclones Idai, Kenneth, Freddy e Chidjo.
A experiência acumulada pelo país foi apontada como uma fonte de aprendizagem para outras nações africanas, sobretudo no que diz respeito à reconstrução de infra-estruturas, à preparação das comunidades e ao reforço da capacidade de resposta perante calamidades.
A discussão ocorre num contexto em que a União Africana definiu, para 2026, o acesso à água, ao saneamento e à higiene, conhecidos internacionalmente pela sigla WASH, como áreas relevantes para a resiliência climática e a saúde pública.
Menos desastres, mais pessoas afectadas
Os dados apresentados com base no Relatório Bienal da União Africana sobre a Redução do Risco de Desastres, referente a 2023–2024, revelam uma tendência preocupante.
Segundo os números divulgados na conferência, o número de eventos de desastres registados em África diminuiu de 521 para 496. Entretanto, as mortes associadas a essas ocorrências aumentaram de 22.330 para 42.275, enquanto o número de pessoas afectadas passou de 21,6 milhões para cerca de 87 milhões.
O quadro evidencia a importância de reforçar não apenas a resposta às calamidades, mas também as medidas de prevenção, o ordenamento territorial, a qualidade das infra-estruturas e a protecção das populações que vivem em zonas vulneráveis.
Aviso prévio e preparação antecipada
Outro ponto destacado na conferência foi a preocupação com as projecções meteorológicas relativas à possibilidade de ocorrência de um episódio intenso de El Niño até ao início de 2027.
A experiência de 2023–2024, quando a seca associada ao fenómeno levou seis países da SADC a declararem estados de emergência, foi recordada como um sinal dos efeitos que os eventos climáticos podem produzir sobre a segurança alimentar e os meios de subsistência. Na altura, mais de 61 milhões de pessoas na África Austral necessitaram de assistência humanitária, segundo os dados citados no encontro.
Perante este cenário, a União Africana apelou ao reforço dos sistemas de aviso prévio e à adopção de medidas antecipadas, de modo a permitir que os governos e as comunidades se preparem antes da ocorrência de situações de emergência.
A organização defende que investir na prevenção pode reduzir perdas humanas e económicas, proteger os recursos públicos e contribuir para a segurança alimentar.
A conferência terminou com a entrega do Relatório Bienal de Redução do Risco de Desastres 2023–2024 ao Presidente Daniel Chapo, a quem foi atribuída a responsabilidade de promover o envolvimento político e a implementação das recomendações apresentadas, em alinhamento com os objectivos da Agenda 2063 da União Africana.
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