O Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Inhambane deteve um inspector do Instituto Nacional de Actividades Económicas (INAE), acusado de cobrar ilegalmente 90 mil meticais a um comerciante da cidade de Inhambane, em troca da anulação de uma multa relacionada com a venda de produtos fora do prazo de validade.
Segundo informações avançadas pelo porta-voz da instituição, o inspector foi apanhado em flagrante delito no momento em que recebia o dinheiro alegadamente exigido ao proprietário do estabelecimento comercial. O caso surge na sequência de uma acção inspectiva realizada por uma equipa do INAE, durante a qual foram detectados produtos impróprios para consumo. Após a emissão do aviso de multa, o inspector terá, supostamente, contactado o comerciante para propor o cancelamento da sanção mediante pagamento ilícito.
As autoridades explicam que a detenção foi possível graças a um trabalho operativo conduzido pelo Gabinete de Combate à Corrupção, depois de denúncias sobre a alegada tentativa de extorsão. O processo encontra-se agora em fase de instrução criminal, enquanto decorrem diligências para apurar se existem outros envolvidos no esquema.
O caso volta a colocar sob escrutínio a actuação de alguns agentes de fiscalização económica no país, numa altura em que o combate à corrupção e à cobrança ilícita de valores continua a ser apontado como um dos principais desafios nas instituições públicas. Analistas defendem que práticas do género fragilizam a confiança dos cidadãos nos órgãos de controlo e prejudicam o ambiente de negócios, sobretudo entre pequenos comerciantes.
Entretanto, fontes ligadas ao sector consideram que a detenção em flagrante demonstra maior vigilância das autoridades anticorrupção em Inhambane, província onde recentemente têm sido registados vários processos relacionados com corrupção activa e passiva em instituições públicas.
