Ninguém sabe contar melhor a história de Moçambique senão os próprios moçambicanos. E, numa jornada em que o país inteiro homenageava as forças que defenderam a pátria e contribuíram para o alcance da independência nacional, os Mambinhas escreveram, dentro das quatro linhas da Arena Lalgy, mais uma página de orgulho no futebol juvenil.
A Selecção Nacional Sub-20 de Moçambique entrou em campo determinada a transformar a derrota por 1-0 sofrida no encontro anterior diante da Namíbia numa memória distante. E foi exactamente isso que aconteceu. Com uma actuação convincente, os Mambinhas venceram a congénere namibiana por 3-0, afastando-a da luta pelo sonho de conquistar a Taça COSAFA na categoria Sub-20 e reforçando a sua própria caminhada rumo à fase final da competição.
Antes do apito inicial, a Namíbia apresentava-se como um adversário capaz de criar dificuldades, sobretudo depois de ter conseguido vencer Moçambique no confronto anterior. Contudo, Luís Guerreiro e a sua equipa técnica já tinham preparado um grupo disposto a responder à altura e, desta vez, a história seria diferente.
A resposta moçambicana começou a ganhar forma aos 14 minutos. Martinho Começar fez jus ao próprio nome e começou a festa dos Mambinhas, inaugurando o marcador e colocando Moçambique na frente.
O golo tinha também um significado especial. Se no jogo anterior o 1-0 tinha sido suficiente para dar a vitória à Namíbia, desta vez esse mesmo resultado representava apenas o início da contagem moçambicana. Os Mambinhas não estavam satisfeitos com uma vantagem mínima e procuravam escrever uma história completamente diferente.
Com a vantagem no marcador, Moçambique manteve-se organizado e procurou controlar as operações até ao intervalo. A Namíbia tentou reagir, mas encontrou pela frente uma equipa moçambicana mais segura e determinada em não permitir que o adversário recuperasse o domínio do encontro.
No regresso dos balneários, os dois seleccionadores procuraram corrigir os aspectos que não tinham funcionado na primeira parte e deram novas instruções aos seus jogadores. Porém, Luís Guerreiro parecia ter as linhas-mestras bem definidas para manter a superioridade dos Mambinhas.
Aos 56 minutos, essa superioridade voltou a traduzir-se em golos. Diogo Pelembe apareceu para fazer o segundo da partida e aumentar a vantagem de Moçambique.
O 2-0 trouxe maior tranquilidade aos jogadores moçambicanos e, ao mesmo tempo, aumentou a pressão sobre a Namíbia, que precisava de reagir para continuar a alimentar as esperanças na competição. Do outro lado, os Mambinhas ganhavam confiança e passavam a controlar o jogo com maior segurança.
Mas quem pensasse que o espectáculo já tinha terminado enganava-se. No futebol, a partida só chega ao fim quando o árbitro apita pela última vez. E, na Arena Lalgy, ainda havia espaço para mais um momento de celebração moçambicana.
Aos 79 minutos, o camisola 24 do combinado nacional colocou também o seu nome na lista dos marcadores e assinou o terceiro golo da partida. O 3-0 praticamente selava uma actuação que começou com determinação, ganhou consistência ao longo do jogo e terminou com uma goleada convincente.
O resultado representa mais do que uma simples vitória. Depois de a Namíbia ter levado a melhor no encontro anterior por uma margem mínima, os Mambinhas responderam dentro de campo com três golos sem resposta, mostrando capacidade de reacção e mantendo vivo o sonho de chegar à fase final da Taça COSAFA Sub-20.
Na Arena Lalgy, enquanto Moçambique celebrava a memória daqueles que lutaram pela liberdade e pela independência nacional, uma nova geração também escrevia a sua própria história, desta vez através do futebol.
Os Mambinhas fizeram da juventude, da energia e da determinação os seus principais argumentos e deixaram uma mensagem clara na competição: Moçambique continua na corrida e quer fazer da Taça COSAFA Sub-20 mais um palco para afirmar o talento da nova geração do futebol nacional.





