O país perdeu, esta terça-feira, 18 de Novembro de 2025, uma das suas vozes mais dedicadas às artes visuais. Lourenço Abner Tsenane, escultor, artista plástico e professor, faleceu deixando um legado sólido e profundamente enraizado na formação de novas gerações de criadores.
A notícia do seu desaparecimento físico foi recebida com consternação no meio artístico e académico, onde era amplamente respeitado pela sua entrega, humildade e compromisso com a evolução cultural de Moçambique.Nascido a 24 de Maio de 1979, na cidade de Maputo, Tsenane iniciou a sua caminhada artística ainda jovem, em 1994, na ADPP – Cidadela das Crianças. O seu talento cedo o empurrou para caminhos mais profundos, tendo ingressado, em 2003, na Escola Nacional de Artes Visuais, onde se especializou em cerâmica. Anos mais tarde, em 2013, concluiu a licenciatura em Artes Visuais no Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC), instituição que viria a tornar-se a sua segunda casa.
Além de artista prolífico, Tsenane foi académico de referência. Lecionou Escultura e Projecto no ISArC como Professor Assistente e, paralelamente, ministrou a cadeira de Arte e Cultura de Moçambique no Instituto Superior Maria Mãe de África. A sua vocação para ensinar e a generosidade com que partilhava conhecimento marcaram profundamente os estudantes, muitos dos quais hoje o reconhecem como mentor.
A carreira expositiva de Tsenane começou em 1997. Em 2008, apresentou a sua primeira exposição individual, intitulada “O Viajante”, no Bar do Aeroporto Internacional de Maputo. Mais recentemente, em 2023, regressou às individuais com “Diálogos Transcendentais”, na galeria Arte de Gema. Participou também, como presença constante, na Colecção Crescente e, em 2024, integrou a exposição “Três Dimensões: percursos, densidades e possibilidades”, onde voltou a evidenciar a sua maturidade artística.
Ao longo da carreira, acumulou distinções que atestam a sua versatilidade técnica e sensibilidade criativa. Entre elas destacam-se:
– 3.º Prémio de Pintura no Cine África (2001);
– 1.º Prémio de Cerâmica na Bienal TDM – Museu Nacional de Arte (2001);
– Menções Honrosas em Pintura e Cerâmica na Bienal TDM (2009 e 2011).
As reacções ao seu falecimento multiplicaram-se ao longo do dia. Colegas, estudantes, curadores e instituições culturais prestaram homenagem ao artista, sublinhando que Tsenane deixa um vazio difícil de preencher. A sua obra, porém, permanece como testemunho de uma vida dedicada à criação e ao ensino, tornando real a ideia de que “os artistas são eternos”.
À família, amigos, alunos e todos os que foram tocados pela sua arte, ficam expressos os mais profundos sentimentos. Moçambique despede-se de Lourenço Abner Tsenane, mas o seu legado continua — firme, visível e inspirador para quem acredita no poder da arte de transformar vidas.




