Um funcionário da Autoridade Tributária de Moçambique (AT), afecto à Unidade dos Grandes Contribuintes, foi brutalmente assassinado à facada no seu escritório, localizado no bairro da Malhangalene, cidade de Maputo. Trata-se de Luís Malhaieie Jr., de 48 anos de idade, técnico sénior da AT e empresário no ramo de importação de medicamentos.
O crime terá ocorrido entre as 13h e as 16h desta sexta-feira, período imediatamente posterior ao intervalo de almoço. Segundo informações recolhidas no local, a vítima encontrava-se no exercício das suas actividades empresariais, depois de ter saído momentaneamente do seu posto de trabalho na Unidade dos Grandes Contribuintes, situada na baixa da cidade.
No interior do escritório, o cenário encontrado pelas autoridades é descrito como chocante: uma poça de sangue espalhada sobre as tijoleiras, indícios claros de luta e sinais de violência extrema, imagens que mais se assemelham a cenas de um filme de terror. O corpo da vítima apresentava múltiplos golpes na zona do pescoço.
Em contacto telefónico com a estação televisiva Miramar, a Polícia da República de Moçambique (PRM) avançou uma descrição preliminar do sucedido. “Indivíduos não identificados, munidos de um instrumento perfurocortante, desferiram vários golpes na região do pescoço da vítima, causando-lhe a morte no local”, explicou uma fonte policial.
A porta-voz da PRM na cidade de Maputo, Marta Pereira, confirmou a ocorrência e esclareceu que, até ao momento, as motivações do crime permanecem desconhecidas. No entanto, garantiu que decorrem diligências no terreno para o esclarecimento do caso, incluindo trabalhos de perícia, recolha de vestígios e audição de possíveis testemunhas.
Luís Malhaieie Jr. trabalhava na Autoridade Tributária há cerca de duas décadas, sendo considerado um quadro experiente do sector fiscal. Em paralelo, desenvolvia actividades empresariais no sector farmacêutico, área sensível e de elevado valor económico, facto que não é descartado pelas autoridades como uma das linhas de investigação, embora sem confirmação oficial.
O assassinato gerou um clima de tensão e inquietação no bairro da Malhangalene, onde populares e comerciantes manifestam receio face à violência do crime ocorrido em plena luz do dia, numa zona habitualmente movimentada.
As autoridades apelam à calma e solicitam a colaboração da população, pedindo que qualquer informação relevante seja comunicada às esquadras mais próximas. O caso segue sob investigação da PRM e do SERNIC.
Desta vez não foi boato, não foi “ouvi dizer”. Foi crime grave, em pleno coração da cidade. E agora, como manda a regra, fala-se menos e trabalha-se mais para que a verdade venha ao de cima.


